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Fotografia: “Todos os negros”

Clique na imagem e conheça um pouco de sua história.

Foto: “Todos os negros”, Luiz Morier, 1983.

“Todos os negros” é o título que Luiz Morier deu a uma fotografia que tirou quando passava pela estrada Grajaú-Jacarepaguá, no Rio de Janeiro,  em 1983. Ganhadora do Prêmio Esso de Fotografia naquele ano, ela é, ainda hoje, um dos documentos visuais mais poderoso da cultura brasileira recente.

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O que é “negacionismo”?

O negacionismo é uma perspectiva sobre a história que tem como característica a negação de crimes históricos sem, no entanto, oferecer evidências para sua contestação. Os negacionistas do Holocausto ou do Stalinismo recusam os assassinatos, genocídios e perseguições atribuídos a esses fenômenos ao considerá-los propaganda geralmente disseminada por inimigos políticos. Segundo essa visão, o Holocausto teria sido uma falsificação histórica criada pelos judeus, enquanto os crimes de Stalin seriam invenções dos governos capitalistas do Ocidente.

De modo análogo, o negacionismo do racismo no Brasil sustenta que não há e nunca houve racismo na sociedade brasileira. De acordo com essa perspectiva, a idéia de que existe racismo no Brasil seria relativamente recente. Ela teria se originado apenas depois de uma suposta intervenção norte-americana nas universidades brasileiras, a partir de 1950. Esse evento teria imposto a estudiosos brasileiros modelos de classificação étnico-racial e de percepção das relações raciais que não corresponderiam à especificidade da nossa história. Essa falsa visão da nossa trajetória, que afirma a existência de racismo, teria ganhado espaço partir de então, especialmente depois de uma também suposta associação entre movimentos sociais negros e fundações de pesquisa norte-americanas. Ainda de acordo com essa perspectiva, o Brasil seria não um país racista, mas uma democracia racial, tal como teorizada pelo sociólogo Gilberto Freyre. Aqui, o conflito entre grupos étnicos seria inexiste, e a pertença racial não desempenharia nenhum papel na formação da estrutura social.

Tal como outros negacionismos, o negacionismo do racismo no Brasil não apresenta evidências que sustentem suas afirmações. Há mais de cinqüenta anos estatísticas produzidas pelo Estado e por instituições e/ou grupos de pesquisa independentes vêm registrando sistematicamente diferenças no grau e no tipo de acesso à bens e serviços, e na distribuição da riqueza, quando o conceito de raça é aplicado como categoria analítica. Nenhuma das grandes pesquisas sócio-econômicas realizadas no Brasil negam que o fator raça funciona como uma barreira social.

O negacionismo ameaça, portanto, a compreensão e a luta contra o racismo ao negar sua existência. Simultaneamente ela recusa como falsa a experiência e o sofrimento de incontáveis brasileiros que foram vítimas de episódios de racismo, ou são alvos cotidianos do racismo estrutural que sustenta diferenças sociais concretas no Brasil de hoje.

O negacionismo do racismo no Brasil ainda coloca em xeque a memória nacional ao negar, por implicação, a história dos crimes com motivações raciais cometidos no país ao longo de sua trajetória. Nega-se, por conseguinte, o racismo como uma das ideologias que fundamentaram a escravidão. Embora não haja consenso entre os estudiosos de que a escravidão negra tivesse motivações exclusivamente raciais, os mesmos estão de acordo que sua sustentação por tanto tempo tenha sido motivada e tenha colaborado para o incremento do racismo no Brasil e em todas as Américas. Nega-se, também, só que de forma direta e assertiva, que tenha existido racismo no período pós-escravista e, especialmente, no presente.

E embora o negacionismo tenha como foco as relações entre os grupos negros e brancos, pode-se inferir que, também por implicação, nega-se que a limpeza étnica da população indígena do Brasil, com seus massacres, assassinatos e escravização, registrados desde o início da colonização até os dias de hoje, seja motivada pelo racismo.

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The People Speak: Howard Zinn on Moyers Journal

Howard Zinn é um dos historiadores mais populares dos EUA. Ele é autor de “A people’s history of the United States”, um livro que há anos vem inspirando a recuperação da memória dos movimentos populares dos EUA. Zinn é um dos últimos representantes da velha esquerda norte-americana formada no período pré-II Guerra Mundial. Seu livro, publicado no mesmo ano em que Ronald Reagan chegou ao poder, foi prontamente recuperado logo após a longa noite neoliberal, justamente pela mensagem de confiança na força popular que seu livro expressa e respeita.

No dia 13 de dezembro, o ator Matt Damon, que leu seu livro quando ainda era adolescente, levou ao ar um especial de duas horas, que ele próprio produziu para o History Channel, em homenagem aos 30 anos da publicação de obra prima de Zinn. Diversos atores fizeram leituras do livro, e deram vida às vozes do passado registradas pelo historiador. Eis uma entrevista de Zinn, dias depois do evento.

Semana em Solidariedade ao Povo Palestino

Cartaz com a programação do evento

A Semana em Solidariedade ao Povo Palestino, a ser realizada entre os dias 23 e 27 de novembro, é uma iniciativa de alunas/os e professores/as da Universidade de Brasília, apoiada pelo Departamento de Filosofia, pela Diretoria de Esporte, Arte e Cultura (DEA), pelo Instituto da Cultura Árabe (ICArabe-SP) e pelos diretores do filme “A chave da casa” que permitiram sua exibição*. Sua realização neste período está relacionada ao “Dia Internacional de Solidariedade ao Povo Palestino”, celebrado anualmente no dia 29 de novembro, a fim de relembrar a Partilha da Palestina sancionada pela ONU, em 1947, e as graves conseqüências decorrentes desta decisão para seu povo.

O propósito do evento é proporcionar uma reflexão histórica e política sobre a Palestina, especialmente no que se refere ao conflito árabe-israelense e à formação de um grande contingente de refugiados. Para tanto, serão realizados, no Anfiteatro 9 e na Biblioteca Central desta universidade, debates, exposições de poemas, charges, e mostra de filmes.

*Agradecemos a Stela Grisotti, Paschoal Samora (diretores), Krishna Mahon (produtora) e Regina Debonis pela cessão do filme “A chave da casa” para exibição nesta mostra.

Sob o Signo da Justiça

Aproveito para chamar a atenção para o documentário sobre o processo de implementação das ações afirmativas na UnB, que eu e Ernesto de Carvalho fizemos em 2004.

Pergunta ao Nassif

Pergunta ao Nassif

Hoje entrei no Blog do Nassif, que é um dos mais respeitados e respeitáveis blogueiros do Brasil, e lancei a ele uma pergunta sobre sua posição em relação às cotas. Luis Nassif deixou a grande imprensa e comprou uma  briga monumental com vários veículos de comunicação que, a partir de fim dos anos noventa, começavam a impor uma grande transformação na lógica da produção da notícia ao conjunto da imprensa. Essa lógica estava pautada pelas mudanças ditadas pelo mercado, no momento em que o neoliberalismo sob Collor e, depois, sob FHC avançava sem muitos limites, mercantilizando inclusive o jornalismo.

Nesse período, revistas e jornais passaram adotar um abordagem neoconservadora, produzindo notícias de fácil apelo. Não apenas isso. Ela passou a funcionar como uma plataforma a partir da qual grupos financeiros atuavam, se utilizando de jornalistas e pseudo-jornalistas (os famosos colunistas) para produzir fatos. As matérias elaboradas nessa lógica visavam sobretudo intervir no mercado por meio da propagação de boatos, ou no judiciário, ao forjarem “investigações” sobre escândalos ou irregularidades, fora ou dentro do governo que, muitas vezes, eram provocadas por pessoas ligadas próprios aos jornalistas desses órgãos. Em sua série sobre a Revista Veja (http://luis.nassif.googlepages.com/), Nassif desvenda essa lógica com lucidez, coragem e exemplos abundantes, o que lhe rendeu não poucos problemas.

No entanto, sua posição sobre as cotas ressoa em quase todos os pontos as mesmas objeções colocadas pela mesma trupe da ‘indústria da opinião’ por ele criticada. É uma pena, porque seu blog e a rede que coordena seria um bom espaço alternativo onde uma visão sobre as cotas, não neoconservadora nem elitista, poderia ser expostas para uma audiência bastante qualificada.

Reproduzo abaixo a breve resposta que ele deu ao questionamento que fiz:

Prezado Nassif,

Gostaria de saber porque você que sempre consegue fazer uma leitura tão perspicaz da imprensa brasileira está ao lado de Demétrio Magnoli, Reinaldo Azevedo, Diogo Mainardi, do Globo, da Folha e do Estadão quando o assunto são cotas raciais?

Você não acha que a forma como elas estão sendo atacadas, de forma avassaladora pela grande imprensa, sem direito de resposta, não tem algo de uma reação elitista, como acontece com outras pautas com caráter popular?

luisnassif disse:

Carlos, esse blog é frequentado por inúmeros defensores de cotas raciais. E sou um defensor assumido da cultura negra.
Tenho assumido defesa intransigente das cotas sociais e inúmeras críticas em relação a facções do movimento negro, as principais das quais a cultura de combater a intolerância com a intolerância e o desprezo pelos valores históricos da negritude – inclusive o samba. Não estou dizendo que é o seu caso. De qualquer modo, aqui os defensores das cotas sempre tiveram direito de expor suas ideias.

ubaldo, o paranóico disse:

Desculpe, Nassif.
Mas acho que você não respondeu a pergunta do Carlos, ou seja, por que (ele faz a pergunta de outra forma) você é contra as cotas raciais. Pelo menos foi isso o que entendi da pergunta dele.

luisnassif disse:

Sou contra cotas raciais sim. Sou a favor de cotas sociais e, pelo fato da maior parte da população pobre ser parda, alcancam-se os dois objetivos.

A morte de John Brown

A morte de John Brown

Carlos Henrique R. de Siqueira

Jonh Brown em 1859

Jonh Brown em 1859

No último dia 16 de outubro, celebrou-se nos EUA o aniversário de 150 anos do ataque de John Brown ao Arsenal Federal da cidade de Harpers Ferry, na Virgínia. Em um evento conduzido por Howard Zinn, autor de People’s history of the United States, atores e ativistas leram trechos do texto de defesa de Brown junto ao tribunal da Virgínia.

John Brown foi um abolicionista radical, que desde cedo mobilizou sua vida e seus recursos em função da luta pelo fim da escravidão. Nascido em 1800, em Connecticut, em uma família também abolicionista, Brown foi agricultor de poucos recursos. Viveu em diversas cidades, até estabelecer-se numa comunidade negra em North Elba, no estado de Nova York. Tornou-se conhecido nos círculos anti-escravistas nacionais apenas em 1855 quando, junto com seus cinco filhos, participou de diversas ações de guerrilha contra cidades escravistas no Kansas.

Data dessa época seu plano de forçar a libertação dos escravos do Sul, por meio de um levante contra o Estado da Virgínia, um dos mais poderosos estados sulistas. Para levar seu plano à frente buscou apoio financeiro das grandes personalidades abolicionistas da época, como William Lloyd Garrison e Gerrit Smith. Com poucos recursos, e apenas vinte e um homens (cinco negros dentre eles), retornou de Nova York ao Kansas, de onde partiu com para Harpers Ferry, chegando à cidade em 3 de julho de 1859.

O ataque às instalações do Arsenal foram frustrados com um contra ataque. Brown foi preso, julgado e condenado à morte. Foi enforcado no dia 2 de dezembro de 1859, acusado de traição. À época, o escritor francês Victor Hugo[1] tentou intervir em seu favor, encaminhando para jornais norte-americanos uma carta aberta em sua defesa. Mais tarde, Frederick Douglass, que o conheceu em 1849, considerou o empreendimento de Brown como a primeira grande batalha da Guerra Civil.

O caso de John Brown chama a atenção por vários motivos: sua dedicação à causa abolicionista, sua inflexível coerência com sua consciência, ainda que baseada numa leitura da fraternidade do Novo Testamento, e a força de sua convicção num ambiente completamente hostil aos valores que cultivava.

No entanto, há algo mais em toda essa estória. O exemplo de Brown oferece elementos para se pensar a relação entre a ação e a História. Isto é, entre  as escolhas que fazemos diante das opções disponíveis no presente e o devir, um processo que inexoravelmente nos colocará do lado certo ou errado, do lado da justiça ou da injustiça.

Ao contrapormos hoje pessoas como John Brown ou, no caso brasileiro, pessoas como Luiz Gama (que chegou a dizer, para escândalo da boa sociedade, que “o escravo que mata o seu senhor pratica um ato de legítima defesa”) com todas as eminentes e prudentes personalidades que defenderam a escravidão ou para preservar a economia nacional, ou para a manutenção da paz social, vemos que a história guarda um lugar pouco nobre para todos eles.

O evento que comemora os 150 anos do assalto ao Arsenal de Harpers Ferry é mais que a celebração de uma personalidade, é um ajuste com a história. Uma condenação ao julgamento, e uma retificação do lugar de Brown, morto como traidor da pátria e da raça, fixado no imaginário popular como um profeta louco e irracional, ao estilo do nosso Antônio Conselheiro. O que o exemplo de John Brown convida a pensar é: ao fim da vida, após examinar as ações, os compromissos que assumimos, os que negligenciamos e os que renegamos, em que lado da História estaremos?

Brown como um profeta louco incendiando o país.

Brown retratado como um profeta louco, acusado de dividir a nação.


[1] http://www.gavroche.org/vhugo/londonnews.gav.

O Relatório Goldstone

O Relatório Goldstone

Carlos Henrique R. de Siqueira*

Desde a divulgação do Relatório da Comissão de Direitos Humanos da ONU sobre os ataques à Gaza ocorridos entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009, o Estado de Israel encontra-se na defensiva. Pela primeira vez em muitos anos, uma figura de primeira grandeza no âmbito do direito internacional conduziu e redigiu um documento das Nações Unidas afirmando categoricamente, e sem eufemismos, que Israel cometeu crimes de guerra e “possíveis crimes contra a humanidade” durante os 22 dias de suas ações militares na região.

A dificuldade de Israel em desqualificar o relatório de Richard Goldstone decorre não apenas de sua ficha irretocável como juiz do Tribunal Penal Internacional das Nações Unidas, quando atuou em casos como os dos genocídios da Iugoslávia e Rwanda. Mas, acima de tudo, porque Goldstone provém de uma família judia sul-africana e declarou publicamente, mais de uma vez, apoiar o Estado de Israel[1]. Segundo a jornalista Amy Goodman, apresentadora do programa Democracy Now[2], a filha de Goldstone, que fala hebraico, ao ser entrevistada por uma rádio israelense nos últimos dias, declarou que seu pai é sionista e ama o Estado de Israel. Dessa forma, a acusação de anti-semitismo e de perseguição, trunfos que as autoridades israelenses usualmente se utilizavam para desqualificar toda e qualquer acusação de crimes de guerra e de violação aos direitos humanos, não puderam ser usados desta vez.

As 575 páginas do relatório apresentam sólidas evidências de que Israel atingiu inocentes de forma proposital, que visou danificar a já precária infra-estrutura de Gaza, que atacou mesquitas, hospitais e ambulâncias, violando as leis internacionais mais básicas, e que bombardeou, também propositalmente, instalações das Nações Unidas da região, como escolas e abrigos.

Ao mesmo tempo, o relatório condenou também o Hamas. Essa, aliás, tinha sido uma das exigências de Goldstone para aceitar o caso: que tivesse carta branca para investigar os dois lados do conflito. A organização palestina foi igualmente acusada de cometer crimes de guerra por lançar ataques à Israel, com o intuito de causar mortes de civis, indiscriminadamente.

Em uma recente entrevista, o historiador Norman Finkelstein[3], uma das maiores autoridades sobre o tema, afirmou que o Relatório Goldstone não traz informações substancialmente novas. Na verdade, existem ao menos sete grandes relatórios que o precedeu, e que contém informações similares: dois relatórios preparados pela Anistia Internacional, e cinco pela Human Rights Watch. Contudo, as credenciais de Goldstone colocam seu relatório em um outro patamar de disputa, acredita.

Segundo Finkelstein, no entanto, há um ponto equivocado no Relatório Goldstone: o tempo todo ele utiliza o marco jurídico e o vocabulário da guerra para tratar dos fatos da última ofensiva contra Gaza. Para o historiador, no entanto, o que aconteceu ali foi simplesmente um massacre. Guerra, diz ele, pressupõe o embate entre duas forças. Em Gaza não houve batalhas, e sim um ataque destruidor e unilateral. Enquanto os mísseis domésticos do Hamas atingiram algumas dezenas de casas em Israel, Gaza foi completamente destruída, segundo o autor, que esteve na Faixa de Gaza em julho passado.

O autor chama a atenção para esse ponto porque, segundo sua visão, os crimes de que são acusados Hamas e o Estado de Israel não são simétricos. Os ataques da organização palestina infligiram um pequeno temor nas áreas ao alcance de seu primitivo armamento. Enquanto o ataque de Israel deixou terra arrasada, e quase 1500 palestinos mortos, contra 15 israelenses.

Contudo, Finkelstein acredita que o massacre de Gaza pode ter sido o início de um revés para as autoridades israelenses. A flagrante ilegitimidade dos ataques parecem ter desencadeado a retirada do apoio que “liberais” de várias partes do mundo (inclusive da juventude judaica liberal norte-americana) davam a Israel. O Relatório Goldstone, uma conseqüência desse processo na opinião do historiador, pode agora incrementar o ritmo da mudança de posição de parte importante dos apoiadores que Israel sempre teve no passado.

Ainda assim, na votação da Resolução da Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, baseada no Relatório Goldstone, ocorrida ontem (16 de outubro de 2009), Estados Unidos, Itália, Holanda, Hungria, Eslováquia e Ucrânia rejeitaram o relatório, mostrando que não houve mudança visível na política externa norte-americana em relação a Israel na administração de Barack Hussein Obama. O representante do Departamento de Estado alegou que a Resolução foi desbalanceada, indo muito além do que sugere o Relatório. E mesmo Goldstone se queixou de que a Resolução não faz menção ao Hamas.Contudo, com o apoio de outros 47 países, incluindo o Brasil, o Relatório foi aprovado.[4]

O representante de Israel protestou contra o resultado. Ele afirmou que durante o conflito a IDF (Israel Defense Forces) tomou medidas sem precedentes para proteger civis e inocentes. E concluiu afirmando que o documento é unilateral e visa prejudicar o direito que Israel tem de defender seus cidadãos, dentro dos limites das leis internacionais (!?).[5]

As recomendações do relatório são claras: Israel e a Autoridade Palestina devem iniciar investigações sobre os indícios de crimes apontados pelo relatório, e encaminhá-los ao Conselho de Segurança da ONU, no prazo de seis meses. Caso contrário, cidadãos, e mesmo autoridades de Israel e da Palestina podem estar sujeitos a abertura de processos de responsabilidade no Tribunal Penal Internacional. E embora se possa prever que o poder de veto dos EUA jamais deixaria a situação chegar a esse ponto, é um avanço que a comunidade internacional tenham exposto as ações criminosas de Israel, e ameaçado suas autoridades de serem processadas.


* Mestre em História e Doutor em Ciências Sociais pela UnB. (Blog: https://afterthelastsky.wordpress.com/)

[1] http://www.haaretz.com/hasen/spages/1116379.html.

[2] http://www.democracynow.org/2009/9/16/un_inquiry_finds_israel_punished_and.

[3] http://www.democracynow.org/2009/9/16/un_inquiry_finds_israel_punished_and.

[4] http://www.nationalpost.com/news/story.html?id=2113471

[5] http://www.haaretz.com/hasen/spages/1121614.html

Palestra de Edward Said em Berkeley