Pergunta ao Nassif

Pergunta ao Nassif

Hoje entrei no Blog do Nassif, que é um dos mais respeitados e respeitáveis blogueiros do Brasil, e lancei a ele uma pergunta sobre sua posição em relação às cotas. Luis Nassif deixou a grande imprensa e comprou uma  briga monumental com vários veículos de comunicação que, a partir de fim dos anos noventa, começavam a impor uma grande transformação na lógica da produção da notícia ao conjunto da imprensa. Essa lógica estava pautada pelas mudanças ditadas pelo mercado, no momento em que o neoliberalismo sob Collor e, depois, sob FHC avançava sem muitos limites, mercantilizando inclusive o jornalismo.

Nesse período, revistas e jornais passaram adotar um abordagem neoconservadora, produzindo notícias de fácil apelo. Não apenas isso. Ela passou a funcionar como uma plataforma a partir da qual grupos financeiros atuavam, se utilizando de jornalistas e pseudo-jornalistas (os famosos colunistas) para produzir fatos. As matérias elaboradas nessa lógica visavam sobretudo intervir no mercado por meio da propagação de boatos, ou no judiciário, ao forjarem “investigações” sobre escândalos ou irregularidades, fora ou dentro do governo que, muitas vezes, eram provocadas por pessoas ligadas próprios aos jornalistas desses órgãos. Em sua série sobre a Revista Veja (http://luis.nassif.googlepages.com/), Nassif desvenda essa lógica com lucidez, coragem e exemplos abundantes, o que lhe rendeu não poucos problemas.

No entanto, sua posição sobre as cotas ressoa em quase todos os pontos as mesmas objeções colocadas pela mesma trupe da ‘indústria da opinião’ por ele criticada. É uma pena, porque seu blog e a rede que coordena seria um bom espaço alternativo onde uma visão sobre as cotas, não neoconservadora nem elitista, poderia ser expostas para uma audiência bastante qualificada.

Reproduzo abaixo a breve resposta que ele deu ao questionamento que fiz:

Prezado Nassif,

Gostaria de saber porque você que sempre consegue fazer uma leitura tão perspicaz da imprensa brasileira está ao lado de Demétrio Magnoli, Reinaldo Azevedo, Diogo Mainardi, do Globo, da Folha e do Estadão quando o assunto são cotas raciais?

Você não acha que a forma como elas estão sendo atacadas, de forma avassaladora pela grande imprensa, sem direito de resposta, não tem algo de uma reação elitista, como acontece com outras pautas com caráter popular?

luisnassif disse:

Carlos, esse blog é frequentado por inúmeros defensores de cotas raciais. E sou um defensor assumido da cultura negra.
Tenho assumido defesa intransigente das cotas sociais e inúmeras críticas em relação a facções do movimento negro, as principais das quais a cultura de combater a intolerância com a intolerância e o desprezo pelos valores históricos da negritude – inclusive o samba. Não estou dizendo que é o seu caso. De qualquer modo, aqui os defensores das cotas sempre tiveram direito de expor suas ideias.

ubaldo, o paranóico disse:

Desculpe, Nassif.
Mas acho que você não respondeu a pergunta do Carlos, ou seja, por que (ele faz a pergunta de outra forma) você é contra as cotas raciais. Pelo menos foi isso o que entendi da pergunta dele.

luisnassif disse:

Sou contra cotas raciais sim. Sou a favor de cotas sociais e, pelo fato da maior parte da população pobre ser parda, alcancam-se os dois objetivos.

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3 Comments

  1. Posted outubro 24, 2009 at 10:47 pm | Permalink | Responder

    E por que a sua excelente resposta ao Nassif não está aqui?

    Favoritei seu último comentário deixado lá. 😉

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